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terça-feira, dezembro 23, 2008

Presépio Vivo

      Como já é tradição em Holambra um grupo de moradores organizou a nona edição do presépio vivo. Um evento interessante (e gratuito), onde os grupos de visitantes acompanham José e Maria por cenários compartilhando cenas bíblicas a outras fictícias, do cotidiano, até a manjedoura onde Jesus enfim nasce.

       O que mais chamou minha atenção é que o grupo de atores (cerca de 60 pessoas + uns 70 que colaboram para um lanche comunitário) não tem nenhuma ligação religiosa, ou seja, a festa não é organizada pela igreja católica, evangélica ou nenhuma outra. Desse modo, sem denominações religiosas para atrapalhar, sobressaiu 


a idéia de paz, boa vontade, de fazer o bem ao semelhante (que, acredito, são o cerne de todas as religiões, cristãs ou não). A cena mais interessante montada contava com representantes de várias religiões, dando um belo tom ecumênico a sequencia e reforçando a verdade de que somos todos iguais.


       Já briguei muito com a religião ("... Nothing to kill or die for ... and no religion too ...")  porque sempre vi muito mais intolerância e fundamentalismo do que amor e paz nessa área. Agora  que começo a ter uma relação melhor com a religiosidade (através do espiritismo) e me senti muito bem no evento. A espontaniedade e o esforço da comunidade transmitiu exatamente o que sentimos nesta época, uma sensação de esperança, de igualdade e amor ao próximo. Pena que não estendemos esse sentimento  para o ano inteiro.



quinta-feira, novembro 13, 2008

os ossinhos, como estão?


Fim de semana passado chegou por aqui uma parentada da Sra. Garden. De Goiânia. Tio, primo e filho de primo (primo em algum grau). Cerveja, carvão esperando o churrasco, fomos bater uma bola no gramado (“cuidado com o manjericão, vê se não acerta os moranguinhos”) . Não sei o que aconteceu, dia seguinte meu dedão do pé direito amanheceu feito uma pitomba selvagem. 4 dias sem conseguir usar sapatos (em casa só ando descalço mas pela cidade é meio chato). Que fazer? Tirar ou não tirar um raio-X?

Aqui na cidade tem máquina de raio X, daqueles que sai tudo preto com umas manchas e o médico inventa que está vendo algo. Mas para ilustrar explico:

Há 1 mês atrás minha filha, pequena florzinha, deu uma de curiosa e cabong, derrubou um prato giratório de madeira muito pesado no pé. A pediatra ficou preocupada, “está em fase de crescimento, etc” e pediu que a levássemos num hospital que tem um super-ultra-raio-X-digital-mother-fucker-3D...em Campinas. Ânimo. Imprimi o mapinha no google e lá fomos nós, 45 minutos até o hospital, zona azul difícil de estacionar, trânsito, aquelas coisas de cidade grande...já somos caipiras demais, agora não tem mais volta. Final das contas demorou pra caramba - 3 horas!, e olha que era hospital particular... - daí mais 45 minutos de volta pra Holambra. Uma semana depois, tudo de novo para tirar a pata de gesso...

Pior foi no dia do GP Brasil...cerva na geladeira, o ânimo crescendo com os flashs antes da corrida, sra. Garden avisa: a pequena está com febre alta. Ligou para a pediatra que levou em consideração uma dor na barriga que podia indicar pneumonia, precisava tirar uma chapa, mas era bom se fosse a chapa mother-focker. Shit! Lá fomos nós, duas e meia de um domingão nublado para Campinas, adeus corrida. Demorou menos, estava vazio (acho que todo mundo estava em casa VENDO a corrida)...bom, pelo menos não era nada, dia seguinte já estava sem febre.
Agora o que fazer? Manquitolar por aí até que a brisa cure ou levar a pitomba para tirar um retrato no raio X Obamatronic?

sábado, novembro 01, 2008

Halloween em Holambra


Final da tarde de ontem, estava jogando bola com minha filha no gramado quando dois garotos surgiram no portão gritando "gostosuras ou travessuras". Nas mãos uma caixa de ovos. Nem lembrava que era dia de Halloween, essa festa não é do meu tempo. Vampiros, bruxas e monstros faziam parte das filmes B da Sessão Coruja mas nada tinham a ver com fantasias e muito menos com doces.

Quando morava em Santos só sabia que era Halloween quando os adolescentes da escola em frente de casa se vestiam de preto e dançavam música tecno num volume ensurdecedor até as 22 horas. Mas ninguém tocava a campainha pedindo doces.

Ontem expliquei aos garotos que não estava preparado mas que no ano que vem seriam bem vindos. Fiz minha cara de coitado que, se não é boa, pelo menos me livrou dos ovos. Como quem tem crianças em casa sempre tem doces fui procurar nos armários e achei balas o suficiente para os visitantes que se seguiram. Grupos de fadas, bruxas e outros indefiníveis se revezaram no portão até as 9 da noite. As crianças adoram dividir seus doces com os outros. 

Na próxima preciso estar mais preparado. Não quero virar recheio de omelete.

segunda-feira, outubro 27, 2008

17 anos


Hoje é feriado em Holambra e não porque anteciparam o feriado do dia do funcionário público. É aniversário da cidade. Enquanto minha antiga terra, Santos, tem 462 anos, São Paulo tem 454 (jovens senhoras perto de cidades portuguesas, por exemplo), Holambra comemora hoje...17 anos. Uma adolescente.

Parei para lembrar o que fazia eu quando completei 17 anos. Finalzinho de 1986, época de vestibulares, de namoros descompromissados, de inflação descontrolada, José Sarney era o presidente, Franco Montoro o governador de SP. 
Internet nem pensar, tinha um MSX Gradiente que gravava programas em Basic em fitas K7. CD só em ficção, muito vinil embalava as festinhas da época. Aquela segurança de família estruturada, pai-mãe-irmão, a vida parecendo fácil, só a espera de ser desbravada. Memórias.

Feliz Aniversário, Holambra, obrigado por nos acolher tão bem.


quarta-feira, outubro 22, 2008

o que não tem aqui e sinto falta...


Holambra é uma cidade pequena que tem boa infra-estrutura mas evidentemente não disbonibiliza tudo que encontramos em cidades maiores.  Alguns produtos e serviços só são encontrados em Artur Nogueira e Jaguariúna, a 10 minutos de carro. Outros, apenas em Campinas, a metrópole da região.

Entretanto senti falta de apenas 2 coisas depois de trocar o litoral de Sâo Paulo por Holambra:

1.       - Peixe e camarão frescos. Congelado você acha mas não fica a mesma coisa. Em Santos era só ir ao Mercado do Peixe ou a rua do Peixe e  fazer a festa. Se alguém da região souber onde encontro peixe fresco por aqui me avise. Uma muqueca no fogão a lenha ia ficar show de bola.

2.       - Livrarias ou sebos. Adoro livros. Gosto de lê-los mas também de  manuseá-los, arrumá-los nas estantes, escolher a esmo algum volume e ler ou reler um trecho.  Em Holambra não tem. Em Artur Nogueira tem 2 livrarias – ambas evangélicas. A mais próxima que encontrei foi a Fnac do shopping Dom Pedro em Campinas, a 35 minutos daqui (se contar que ida e volta a Campinas são R$15,20 de pedágio  + gasolina...). Preencho a lacuna pedindo livros pelo correio ou comprando 'de dúzia" nos sebos e livrarias de Santos quando vou até lá “visitar mamãe”.

Uma pergunta que ouvi muito quando mudei  foi “não dá saudades da praia, do mar?,  não sente falta não?”  Não, raramente íamos, mesmo morando a 4 quadras. Acho até que ficamos menos pálidos com o sol do interior. 

...e o que não tem aqui Graças a Deus


Congestionamentos , flanelinhas, criaturas dos semáforos (vendedores de bala, pedintes, assaltantes, limpadores de pára-brisas com seus rodinhos), CET, Marta Suplicy , zona azul, estacionamentos pagos, rodízio, “carrega na catraca” (o ônibus urbano é de graça), Mc Donald’s e  similares , motoboys alucinados, favelas...

Tá bom, ta bom, não é o paraíso, tem problemas como todo lugar. Para quem é metropolitano assumido talvez seja um tédio. Mas eu adoro ouvir o som da grama crescendo.

quinta-feira, outubro 16, 2008

Bichos

Nossa casa fica nos limites da área urbana de Holambra, próxima a uma fazenda e ao

 condomínio Duas Marias. Recebemos visitas surpreendentes para  quem morava numa cidade grande, onde para ver um bicho era olhar pro cachorro da casa ou assistir Animal Planet.

Tivemos surpresas: corujas no gramado ou nos postes ao redor; papagaios soltos, sobrevoando a casa ou comendo sementes numa árvore em frente(outro dia mesmo estava ao computador e um papagaio pousou próximo à janela para depois voar, livre); uma família de pica-paus morando no telhado da casa vizinha (todo fim de tarde se reunem na antena de TV); uma siriema caminhando placidamente na praça ao lado de casa. E o mais bonito, 3 tucanos voando livres, aos berros,  sobre a casa num fim de tarde.

Além de visitas tivemos hóspedes: um ninho de rolinhas no telheiro de um dos portões. E a ocupação da casinha de passarinho que usamos como enfeite na área de lazer.

Por quase duas semanas observamos a alimentação dos filhotes – os pobres pais trabalhavam o dia inteiro para dar comida para os filhotes (algo a ver com o mundo dos humanos?). Cada chegada com um inseto no bico era acompanhada por piados esganiçados. Um dia vimos os pequenos, 3, aprendendo a voar no gramado. No dia seguinte foram embora. Sabe que sentimos falta deles agora?

Ontem fui verificar a casinha, ainda com o ninho. E um ovinho, que não vingou. Primeiro me deu pena, depois vi que é só a natureza.  Com a gente não é assim o tempo todo? 

quinta-feira, outubro 09, 2008

A horta do seu Raimundo




Uma das coisas que mais gostei quando mudei para Holambra foi do fácil acesso a verduras sem agrotóxico. Na subida da rua Solidagos (esquina Azaléias)  você encontra um dos dois terrenos emprestados ao seu Raimundo para a horta (o outro terreno fica a 20 metros, " a matriz e a filial" como ele diz).
 
Além das verduras fresquinhas dá para descolar um bom papo já que seu Raimundo é muito gente boa. Quando disponível sempre arranja umas folhinhas de hortelã ou de capim cidrão para os chazinhos que o pequeno Johnny adora.  
Existem outras hortas do tipo na cidade mas nenhuma se compara. Para quem gosta de uma saladinha bem viçosa recomendo 100%. 

domingo, outubro 05, 2008

Eu, Johnny Garden, estarei revelando muitos segredos...


Período eleitoral, notamos algumas diferenças entre as campanhas dos candidatos em Santos e Holambra. Com muito menos recursos a campanha é feita basicamente no corpo a corpo, não raro candidatos a prefeito ou vereador tocam a campainha de casa querendo bater um "papinho".

Além disso, o uso de carros de som e santinhos é comum. Mas um anúncio no jornalzinho semanal da cidade chamou a atenção:

"Atenção Gente de Holambra -  Eu, Sérgio da ambulância brevemente estarei revelando muitos segredos de políticos de Holambra"

E na semana seguinte:"Atenção Gente de Holambra -  Eu, Elenice, professora do Eja brevemente estarei revelando muitos segredos de políticos de Holambra"

Não sei o quanto essas revelações produziram mas confesso que fiquei curioso. 

quarta-feira, outubro 01, 2008

Respeitável público!


Holambra não tem cinema nem shopping, o teatro será inaugurado este ano, o circo du soleil e o holiday on ice nunca vieram aqui mas a cidade é roteiro de inúmeros circos mambembes que circulam por esse interiorzão de Deus e de Xitãozinho e Xororó.

Um dia a pequena jardim, de 4 anos, reclamou que nunca tinha ido a um circo. Prometi que assim que aparecesse uma oportunidade a levaria. Prometi por prometer pra ser sincero. Parece mentira mas no dia seguinte uns traillers mal ajambrados aparecerem num terreno vazio a 2 quarteirões de casa.

Grande circo Robattini, pelo primor e capricho do cartaz já dava pra ver que seria show, ainda mais com "poweys e imcrível chupa cabra (sic)". Matinê de sábado a tarde, fomos nós, eu preocupado: deve estar cheio, melhor não chegar tarde. 

Chegando lá, ninguém. Aos poucos alguns gatos pingados foram surgindo, contabilizando um respeitável público de 12 adultos e 2o e poucas crianças. Confesso que o estado da lona e dos enfeites me deram a quase certeza de ter entrado numa roubada. 

Mas não é que foi legal? Os artistas, simples, desempenharam seu papel sem grandes luxos mas com eficiência e simpatia. Os palhaços Vareta e Batatinha fizeram rir, o trapezista conseguiu deixar a platéia em suspense nos saltos, os poweys...bem, os poweys fizeram o possível. Um show honesto. O chupa cabra? Não, o chupa cabra não comparece a matinês, só sai na calada da noite, mais precisamente no espetáculo das 20:30h. Quer saber? Me diverti muito.   

Depois desse veio um outro, Los Agady. Não fui mas dona Garden levou os pequenos e, apesar de mais vistoso, parece que não foi muito divertido. 

Estou lembrando disso porque hoje passei em frente ao mesmo terreno próximo de casa e um novo circo começa a erguer suas lonas. Que atrações de tirar o fôlego trará para encanto dos holambrenses? Depois eu conto. 

Acima, o apresentar do circo Robattini, de laranja,  entretendo as crianças. Não esperemos roupa de gala e cartola na matinê, não é?

sábado, setembro 27, 2008

Eu sou o cara estranho que mora na casa do Antônio Marcos

Acostumado a ser  anônimo em Santos não demorei a ver como são as coisas em cidade pequena.

Segunda semana na nova cidade, fui a pé até o açougue a 2 quarteirões de casa. O açougueiro, para minha surpresa:
- Você é de Santos, não é?
- Sou mas agora tô morando aqui.
- É, eu vi a placa do carro. 
- Viu, é?
- É, passei na frente.  Você ta morando na casa do Antônio Marcos, não é? 
- É, isso aí.

Dias depois, na porta escola das crianças, um pai de aluno aguardando o portão abrir puxa papo:
- ...e aí, novos na cidade?
- Pois é, mudamos há menos de um mês.
- Vocês que tão morando “lá no alto”, na casa do Antônio Marcos?
- Eu mesmo. 

Um mês depois, numa entrevista de emprego:
- Então você veio de Santos?
- Isso, há uns 2 meses.
- É você que tá morando na casa do Antônio Marcos?
- Isso. Você conhece?
- Trabalha comigo.
- Gente muito boa, o Antônio.


Bom, então desconfio que  apesar de conhecer pouca gente na cidade muita gente já sabe que viemos de Santos e que moramos na casa do Antônio Marcos. Agora só falta explicar pro pessoal que  a casa não é mais dele, é minha.


Acima uma foto feita pelo Google Earth da casa do Antonio Marc...digo, da minha casa. Se você notar bem dá pra me ver ao computador na janela do bloquinho verde.