sábado, dezembro 27, 2008

me livre e guarde


Em Holambra as luzes estão acesas, principalmente nas praças dos Pioneiros e dos Coqueiros. Rodamos com as crianças de vez em quando pela cidade e o clima de Natal as faz cantar:

"Bate o sino, pequenino, sino de Belém,
 Já nasceu o Deus Me Livre para o nosso bem..."

Não sei porque cantam assim mas não achei de todo mal.

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Incompetente mas perseverante


Viajando na maionese dei de cara com uma notícia na Folha: "Francês tenta se suicidar quatro vezes na noite de Natal". 

Segundo a notícia, "primeiro, o homem tentou se enforcar, porém a corda arrebentou. Depois, ele tentou se degolar com uma faca, sem sucesso. Ele então abriu quatro botijões de gás em casa, mas não conseguiu se asfixiar. Por fim, jogou gasolina e incendiou a casa." 

Os bombeiros atrapalharam o fim da festa embora acredite que mesmo se não chegassem a tentativa não daria certo. Seria o inspetor Clouseau?



terça-feira, dezembro 23, 2008

Presépio Vivo

      Como já é tradição em Holambra um grupo de moradores organizou a nona edição do presépio vivo. Um evento interessante (e gratuito), onde os grupos de visitantes acompanham José e Maria por cenários compartilhando cenas bíblicas a outras fictícias, do cotidiano, até a manjedoura onde Jesus enfim nasce.

       O que mais chamou minha atenção é que o grupo de atores (cerca de 60 pessoas + uns 70 que colaboram para um lanche comunitário) não tem nenhuma ligação religiosa, ou seja, a festa não é organizada pela igreja católica, evangélica ou nenhuma outra. Desse modo, sem denominações religiosas para atrapalhar, sobressaiu 


a idéia de paz, boa vontade, de fazer o bem ao semelhante (que, acredito, são o cerne de todas as religiões, cristãs ou não). A cena mais interessante montada contava com representantes de várias religiões, dando um belo tom ecumênico a sequencia e reforçando a verdade de que somos todos iguais.


       Já briguei muito com a religião ("... Nothing to kill or die for ... and no religion too ...")  porque sempre vi muito mais intolerância e fundamentalismo do que amor e paz nessa área. Agora  que começo a ter uma relação melhor com a religiosidade (através do espiritismo) e me senti muito bem no evento. A espontaniedade e o esforço da comunidade transmitiu exatamente o que sentimos nesta época, uma sensação de esperança, de igualdade e amor ao próximo. Pena que não estendemos esse sentimento  para o ano inteiro.



sábado, dezembro 06, 2008

São Nicolau e os Pedros Negros

Hoje é dia de São Nicolau (Sinter klaas), inspiração do nosso familiar Papai Noel. Segundo a tradição holandesa os indolentes e divertidos Pedros Negros (Zwarte Piet) chegam antes do velhinho para descobrir como as crianças se comportaram. Quem se comportou bem ganha presentes e doces, do contrário recebe "toques amigáveis" com uma varinha.

São Nicolau foi um bispo católico do século 3 tornado mais tarde Santo. Segundo uma reportagem do Terra, "em meados do século 13, a comemoração do dia de São Nicolau passou da primavera para
 o dia 6 de dezembro, e sua figura foi relacionada com as crianças, a quem deixava presentes vestido de bispo e montado em burro. Na época da Contra-reforma, a Igreja católica propôs que São Nicolau passasse a entregar os presentes no dia 25 de dezembro, tal como fazia o Menino Jesus".

Imigrantes holandeses teriam levado no século 17 a tradição de Sinter Klaas para os Estados Unidos, onde a roupa de bispo foi trocada pela "farda" vermelha e o burro foi promovido  a cavalo alado e posteriormente substituido por um trenó puxado por renas.

São Nicolau chegou hoje a Holambra mas os Pedros Negros já estão por aqui há alguns dias, visitando escolas (o pequeno Garden tremeu de medo), enfeitando as lojas e mantendo a tradição holandesa que é o que alimenta esta cidade. Para os holandeses hoje é dia de colocar os presentinhos nas meias dependuradas, cantar e recitar versos da época e comer speculaas e outras especialidades.

Algumas curiosidades:

A origem do saco que sempre está com São Nicolau e Pedros Negros, e que todas as crianças tem medo, está na crença dos Germanos. Eles pensavam que a lua, quando clareava de manhãzinha, era colocada num saco. Onde, no próximo dia, ela era retirada, para que pudesse recomeçar a sua volta pelo céu. Por isso o Pedro Negro carrega o saco.
São Nicolau com sua grande barba branca, é a lua cheia, e Pedro Negro com fuligem no rosto, é a lua que foi embora, dentro do saco.

Nos tempos antigos, durante cerimônias de inaugurações, os jovens apanhavam com varas de finos ramos de árvores para terem uma força de crescimento e fertilidade maiores.
No momento em que eram tocados por essa vara, estes jovens ficavam adultos, e podiam se casar. A vara com a qual o Pedro Negro dá seus "Toques Amigáveis", hoje, ainda são vestígios da antiguidade. E hoje São Nicolau diz que todas as crianças que são tocadas com a vara do Pedro Negro terão uma vida abençoada e terão um melhoramento em seu comportamento como um toque de mágica.

            Brasileiros na Holanda
            São Nicolau

terça-feira, dezembro 02, 2008

And it's green and it's quiet...

A esmo na quente tarde de ontem ouvi no rádio do carro Johnny's Garden, do Stephens Stills (o S do CSNY). Emprestei o apelido quando criei este blog mas nunca havia prestado atenção na letra, ontem por acaso prestei, combinou muito com nossa migração para Holambra. 
Acho que todo mundo conhece a melodia mas coloquei-a pra tocar no playerzinho do imeem a direita.


There's a place I can get to
Where I'm safe from the city blues
And it's green and it's quiet
Only trouble was I had to buy it

And I'll do anything I got to do 
Cut my hair and shine my shoes 
And keep on singin' the blues 
If I can stay here in Johnny's garden

(...)

With his love and his carin'
He puts his life into beauty sharin'
And his children are his flowers
There to give us peace in quiet hours

And I'll do anything I got to do 
Cut my hair and shine my shoes 
And keep on singin' the blues 
If I can stay here in Johnny's garden


No lago Vitória Régia as capivaras se refrescam...


Na Alameda Maurício de Nassau, onde ficam a prefeitura, o pronto socorro e o clube da cidade percebe-se que o trânsito é intenso as 5 da tarde...


Nas plantações e estufas de flores o tempo passa lento como o Rubinho Barrichello...


Cara, eu adoro esta cidade...

quarta-feira, novembro 26, 2008

Licença para matar

Agora a pouco vi na TV a absolvição POR UNANIMIDADE (23 a 0) do "promotor" Thales Ferri Schoedl. Fiquei indignado como há muito não ficava, a gente vê tantos absurdos no Brasil que quase se acostuma. 

Em janeiro de 2005 o cara deu 12 tiros, 12!, matando um rapaz e ferindo outro durante uma festa na Riviera de São Lourenço, balneário chique do litoral norte de SP. A justificativa? Mexeram com a namorada dele. 

Bertioga foi distrito de Santos (onde morei)  até há pouco, a cobertura regional foi bem ampla, muitos acompanharam o caso. Agora vem o desfecho: absolvido. Confessou e (os coleguinhas) absolveram. Passaram esse tempo todo pagando o salário para um bandido desses ficar em casa. E agora o bandido será designado para alguma pobre cidade paulista para servir de acusador. Com que moral?

Corporativismo puro, ridículo, que respinga em todos os membros do ministério público. E o que respinga não é água.

Mandei um e-mail para o site do ministério público de São Paulo, claro que não adianta nada, lá está todo mundo acima da lei. Mandei para o setor de comunicação, embora quisesse mandar a mensagem para o Grupo de Atuação contra o Crime Organizado.

Cuidado se ao acaso você cruzar com um promotor de justiça na rua, se bater em seu carro ou olhar feio. Ele pode te dar uns tiros que a turminha lá de cima garante.  

segunda-feira, novembro 24, 2008

O velho drama do Windows

Meu computador está capengando há uma semana, travando, instável, com o sistema operacional mais pra lá do que pra cá. Vou reformatar, particionar e reinstalar o Windows.
Se demorar a dar sinal de vida é que deu m*.

quarta-feira, novembro 19, 2008

Hoje eu sou Portugal




Apesar de brasileiro vou torcer por Portugal no amistoso de hoje a noite. Um técnico de primeira viagem que só é técnico porque faz parte da panelinha da CBF e um bando de jogadores mercenários não merecem minha torcidam, ainda mais maltratando a bola como andam fazendo.

A seleção brasileira de futebol vendeu a alma ao diabo e o pior é que o diabo não cumpriu sua parte.

domingo, novembro 16, 2008

3º Encontro de Carros e Pessoas Antigas de Holambra


Enquanto sofro com o jogo do Santos na Vila Belmiro - este ano está feia a coisa - aproveito para rever as fotos do 3º Encontro de Carros Antigos de Holambra, que já faz parte do calendário de eventos da cidade. Passeio gostoso com as crianças no domingão de sol.

Curioso que além de carros dos anos 20 , 30 e por aí vai havia alguns carros - poucos, é verdade - do início da década de 80. Um Chevette de 81 em exposição era muito parecido com um Chevettinho que eu usava para ir aos primeiros anos de faculdade. Além dos cabelos brancos no espelho, ver o carrinho que você "usava direto" numa exposição de carros antigos é revelador.

As bandas que se apresentavam sucessivamente indicavam que além dos carros os visitantes também eram antigos: repertórios dos anos 70 e 80, com ampla preferência popular pelas músicas do Pink Floyd.

O Opala vermelho 4 portas acima não teria nada demais não fosse exatamente igual a um que meu pai teve. Me levou de volta à infância, 74, 75, revi meu pai trocando as marchas - o câmbio ficava próximo ao volante - enquanto eu prestava a maior atenção no que ele fazia e tentava repetir em um volante de brinquedo que grudava no painel frente ao banco do passageiro.
O Packard 1937 abaixo não traz nenhuma lembrança. Mas "Reumatismo Car Club" é bem legal.


Alguns outros carrinhos que estavam por lá:



Alfa Romeo Monza 1931



Famigerada Romisetta - deve ser show de bola dirigir uma dessas...



Mascarado esse Gordini, hein ?

Salmão na panela de barro


Após galinha e costelinha ontem arriscamos um belo salmão com camarões no fogão a lenha.
Demora, o cabelo e as roupas ficam cheirando a fumaça mas estamos pegando o jeito: só sobrou a cabeça.

quinta-feira, novembro 13, 2008

os ossinhos, como estão?


Fim de semana passado chegou por aqui uma parentada da Sra. Garden. De Goiânia. Tio, primo e filho de primo (primo em algum grau). Cerveja, carvão esperando o churrasco, fomos bater uma bola no gramado (“cuidado com o manjericão, vê se não acerta os moranguinhos”) . Não sei o que aconteceu, dia seguinte meu dedão do pé direito amanheceu feito uma pitomba selvagem. 4 dias sem conseguir usar sapatos (em casa só ando descalço mas pela cidade é meio chato). Que fazer? Tirar ou não tirar um raio-X?

Aqui na cidade tem máquina de raio X, daqueles que sai tudo preto com umas manchas e o médico inventa que está vendo algo. Mas para ilustrar explico:

Há 1 mês atrás minha filha, pequena florzinha, deu uma de curiosa e cabong, derrubou um prato giratório de madeira muito pesado no pé. A pediatra ficou preocupada, “está em fase de crescimento, etc” e pediu que a levássemos num hospital que tem um super-ultra-raio-X-digital-mother-fucker-3D...em Campinas. Ânimo. Imprimi o mapinha no google e lá fomos nós, 45 minutos até o hospital, zona azul difícil de estacionar, trânsito, aquelas coisas de cidade grande...já somos caipiras demais, agora não tem mais volta. Final das contas demorou pra caramba - 3 horas!, e olha que era hospital particular... - daí mais 45 minutos de volta pra Holambra. Uma semana depois, tudo de novo para tirar a pata de gesso...

Pior foi no dia do GP Brasil...cerva na geladeira, o ânimo crescendo com os flashs antes da corrida, sra. Garden avisa: a pequena está com febre alta. Ligou para a pediatra que levou em consideração uma dor na barriga que podia indicar pneumonia, precisava tirar uma chapa, mas era bom se fosse a chapa mother-focker. Shit! Lá fomos nós, duas e meia de um domingão nublado para Campinas, adeus corrida. Demorou menos, estava vazio (acho que todo mundo estava em casa VENDO a corrida)...bom, pelo menos não era nada, dia seguinte já estava sem febre.
Agora o que fazer? Manquitolar por aí até que a brisa cure ou levar a pitomba para tirar um retrato no raio X Obamatronic?

sexta-feira, novembro 07, 2008

Pelas ruas de Porto Alegre


Estava assistindo ontem ao Estúdio i, na Globonews (aliás tá bem legal a apresentação do programa com a Maria Beltrão, bem descontraído e dinâmico), e vi o cineasta gaúcho Gustavo Spolidoro falando de seu primeiro longa metragem, "Ainda Orangotangos". Não sou um fissurado por cinema mas esse deu vontade de assistir. 

O filme de 81 minutos foi realizado sem cortes, em plano-sequência. Ou seja, começou a filmar sai da frente. E isso em Porto Alegre, em meio a rotina urbana, em ônibus, metrô, com pessoas zanzando de um lado para outro. Como o cara conseguiu?

Na internet encontrei o site do filme que, além do trailer e da sinopse, trás a trilha sonora disponível para download. Tá bom, não é uma trilha para qualquer paladar mas conta com uma sonoridade bem própria da capital gaúcha.

Em Holambra não tem cinema e mesmo que tivesse acredito que não seria exibido, não parece filme para grande circuito. Vou esperar sair em vídeo mas se alguém por aí assistir me conta o que achou (mas sem contar o final!!!!) ok? 

terça-feira, novembro 04, 2008

Holambra é Obama


Bom, pelo menos eu sou, então faço apropriação indébita do município e falo em seu nome.

O candidato democrata representa a diversidade de raças, de culturas, do pensamento aberto, arejado, uma ruptura com a hipocrisia conservadora e religiosa que teve em Bush filho seu maior representante. Bush, inclusive, é um dos maiores responsáveis pela força com que Obama chega a disputa de hoje, graças a seu catastrófico governo. Perdas de vidas e dólares gastos a rodo em guerras injustificadas, crise econômica, Bush e seus falcões "fizeram dos Estados Unidos uma vergonha", conforme comentário que vi de uma americana na TV. Fizeram mesmo.

John McCain tenta se descolar da imagem de Bush, pena que são do mesmo partido. John já tem uma certa idade - se ganhar parece que será o candidato mais velho a tomar posse - o que coloca a sem-noção da Sarah Palin com uma chance de governar o país mais poderoso do mundo. 

Se ganhar, Obama não vai conseguir mudar as posições americanas de uma hora para outra, terá de lidar com a alta expectativa que paira sobre ele. Mas acredito que só sua vitória já trará para as relações mundiais mais otimismo e menos intolerância. Se perder não será o fim do mundo mas eu mandaria alguém examinar as urnas eletrônicas, as mecânicas e os cérebreos dos eleitores americanos.

Sou branco como um fantasma mas seria bem legal ver um negro presidente de um país tão poderoso que até hoje não entendeu que somos todos iguais. 

sábado, novembro 01, 2008

Halloween em Holambra


Final da tarde de ontem, estava jogando bola com minha filha no gramado quando dois garotos surgiram no portão gritando "gostosuras ou travessuras". Nas mãos uma caixa de ovos. Nem lembrava que era dia de Halloween, essa festa não é do meu tempo. Vampiros, bruxas e monstros faziam parte das filmes B da Sessão Coruja mas nada tinham a ver com fantasias e muito menos com doces.

Quando morava em Santos só sabia que era Halloween quando os adolescentes da escola em frente de casa se vestiam de preto e dançavam música tecno num volume ensurdecedor até as 22 horas. Mas ninguém tocava a campainha pedindo doces.

Ontem expliquei aos garotos que não estava preparado mas que no ano que vem seriam bem vindos. Fiz minha cara de coitado que, se não é boa, pelo menos me livrou dos ovos. Como quem tem crianças em casa sempre tem doces fui procurar nos armários e achei balas o suficiente para os visitantes que se seguiram. Grupos de fadas, bruxas e outros indefiníveis se revezaram no portão até as 9 da noite. As crianças adoram dividir seus doces com os outros. 

Na próxima preciso estar mais preparado. Não quero virar recheio de omelete.

terça-feira, outubro 28, 2008

Desligados


Quando mudamos para Holambra, em janeiro deste ano, ficamos 2 semanas sem sinal de TV (graças a localização geográfica), 3 semanas sem telefone (graças a ineficiência da Telefonica) e 2 meses sem internet (já falei da Telefônica?). 

O que para muitos seria uma desgraça para mim foi um descanso. Seria interessante se todos pudessem passar por isso: demonstra o quanto dependemos em excesso da comunicação, da tecnologia exagerada. As poucas notícias chegavam aos domingos quando  comprava a Folha ou o Estadão. Percebi que tirando pequenos fuxicos, acontecimentos pontuais, momentos pequenos e fúteis, as grandes notícias não mudavam tanto em 1 semana. O que é importante progride, o que é besteira desaparece como apareceu. Uma montanha de bobagens entopem nossos jornais, isso sem falar na internet onde o pum de um artista, jogador de futebol ou político vira manchete.

Foi um tempo para ler mais, conversar mais, dormir e acordar cedo. Tá, não sei se a médio ou longo prazo a impressão seria a mesma. E, com tudo disponível, os velhos hábitos voltaram. Mas  foi interessante.

segunda-feira, outubro 27, 2008

17 anos


Hoje é feriado em Holambra e não porque anteciparam o feriado do dia do funcionário público. É aniversário da cidade. Enquanto minha antiga terra, Santos, tem 462 anos, São Paulo tem 454 (jovens senhoras perto de cidades portuguesas, por exemplo), Holambra comemora hoje...17 anos. Uma adolescente.

Parei para lembrar o que fazia eu quando completei 17 anos. Finalzinho de 1986, época de vestibulares, de namoros descompromissados, de inflação descontrolada, José Sarney era o presidente, Franco Montoro o governador de SP. 
Internet nem pensar, tinha um MSX Gradiente que gravava programas em Basic em fitas K7. CD só em ficção, muito vinil embalava as festinhas da época. Aquela segurança de família estruturada, pai-mãe-irmão, a vida parecendo fácil, só a espera de ser desbravada. Memórias.

Feliz Aniversário, Holambra, obrigado por nos acolher tão bem.


SP e RJ

Duas palavrinhas sobre as eleições:

Na capital paulista, um prazer assistir a vitória de lavada do Kassab. A tal transferência de votos -tão matemática e tão falha - de Lula para Marta não aconteceu e foi um delícia ver a arrogância, a prepotência e o jogo sujo quebrarem a cara.

Sobre o Rio. Um vizinho aqui da rua (nômade, já morou no Rio Grande do Sul, Minas, Rondônia, nos últimos 5 anos no Rio de Janeiro e agora em Holambra) fez questão de viajar até a capital carioca para votar no Gabeira. Perguntei se era sério, ele iria até lá só para votar. "Claro, Deus me Livre se o Eduardo Paes ganhar". 
Se eu morasse por lá ficaria preocupado.

quinta-feira, outubro 23, 2008

flores para você

No post anterior falei das formas de comercialização de flores em Holambra. Hoje fomos comprar algumas e pensei em colocar aqui fotos que tirei por lá. Vale a pena esquecer do trânsito, do trabalho, da TV e seus crimes, do nosso e de outros governos e observar a beleza de cores, formas  e detalhes destas que estão abaixo (não, não falo das "mulheres-frutas"). 

"O Cara" que as criou só pode ser muito bom.


Flower Power



Holambra vive de flores. É responsável por 80% das exportações e 40% da produção de flores no país. Há duas formar de comercialização:

Os grandes compradores vão ao Veiling (que signifca leilão). Fileiras de carrinhos com flores  circulam em uma espécie de palco, enquanto as informações sobre o preço e a qualidade aparecem em um placar eletrônico. Ao contrário dos leilões convencionais, o preço vai caindo à medida que o carrinho passa.

Os compradores, em geral donos de floriculturas, representantes de redes de supermercados e distribuidores, precisam ser rápidos. O primeiro que apertar o botão, leva a mercadoria. Se demorar, corre o risco de perder a compra. Se antecipar demais, paga mais caro do que deveria. A cada hora passam aproximadamente 4200 carrinhos.


Nós, pequenos mortais, podemos comprar em grandes centros de comercialização. Os maiores são o Garden Center, um pouco antes da entrada da cidade, e o Pronta Flora , no centro.

 Hoje fomos ao Pronta Flora comprar mudas de flores e ervas, substrato, vasos, ou seja, arsenal para o jardim. É incrível a variedade de flores, folhagens, árvores frutíferas ou não, novas ou mais crescidas e robustas. Claro que o mais interessante são as flores. Impossível não se surpreender com os detalhes, combinações de cores e pequenas excentricidades de algumas espécies.

fontes: PEGN e Veiling.

quarta-feira, outubro 22, 2008

o que não tem aqui e sinto falta...


Holambra é uma cidade pequena que tem boa infra-estrutura mas evidentemente não disbonibiliza tudo que encontramos em cidades maiores.  Alguns produtos e serviços só são encontrados em Artur Nogueira e Jaguariúna, a 10 minutos de carro. Outros, apenas em Campinas, a metrópole da região.

Entretanto senti falta de apenas 2 coisas depois de trocar o litoral de Sâo Paulo por Holambra:

1.       - Peixe e camarão frescos. Congelado você acha mas não fica a mesma coisa. Em Santos era só ir ao Mercado do Peixe ou a rua do Peixe e  fazer a festa. Se alguém da região souber onde encontro peixe fresco por aqui me avise. Uma muqueca no fogão a lenha ia ficar show de bola.

2.       - Livrarias ou sebos. Adoro livros. Gosto de lê-los mas também de  manuseá-los, arrumá-los nas estantes, escolher a esmo algum volume e ler ou reler um trecho.  Em Holambra não tem. Em Artur Nogueira tem 2 livrarias – ambas evangélicas. A mais próxima que encontrei foi a Fnac do shopping Dom Pedro em Campinas, a 35 minutos daqui (se contar que ida e volta a Campinas são R$15,20 de pedágio  + gasolina...). Preencho a lacuna pedindo livros pelo correio ou comprando 'de dúzia" nos sebos e livrarias de Santos quando vou até lá “visitar mamãe”.

Uma pergunta que ouvi muito quando mudei  foi “não dá saudades da praia, do mar?,  não sente falta não?”  Não, raramente íamos, mesmo morando a 4 quadras. Acho até que ficamos menos pálidos com o sol do interior. 

...e o que não tem aqui Graças a Deus


Congestionamentos , flanelinhas, criaturas dos semáforos (vendedores de bala, pedintes, assaltantes, limpadores de pára-brisas com seus rodinhos), CET, Marta Suplicy , zona azul, estacionamentos pagos, rodízio, “carrega na catraca” (o ônibus urbano é de graça), Mc Donald’s e  similares , motoboys alucinados, favelas...

Tá bom, ta bom, não é o paraíso, tem problemas como todo lugar. Para quem é metropolitano assumido talvez seja um tédio. Mas eu adoro ouvir o som da grama crescendo.

Aniversariante peluda do dia

Hoje é aniversário de Alisson Lee, nossa cocker, 14 anos. Uma autêntica véia. É o quinto elemento da família, em muitos momentos de tristeza fez sua parte apenas deitando-se ao lado, fazendo companhia.

Apesar disso  não usa roupas nem sapatinhos, come sobras de comida, não dorme dentro de casa e não é tratada como um bebê de 1 ano. É um animal muito estimado mas ainda assim um cachorro. 

Em Santos não era incomum ver cachorros tratados como crianças, preenchendo as carências dos donos. A dona de uma banca de jornais costumava dar papinhas de bebê (aqueles potinhos da Nestle) de colherinha na boquinha de seu poodle. Irritante. Aqui o veteriário de Alisson Lee por vezes está ocupado fazendo o parto de um bezerro ou potro. Bicho é bicho.

Parabéns, Alisson Lee, hoje vou caprichar nos restos de macarrão.

terça-feira, outubro 21, 2008

Horário de verão, diabos!


As crianças não dormem na hora certa, não querem acordar na hora da escola, eu não quero acordar na hora certa, os passarinhos piam de madrugada na hora errada...sono é uma das poucas coisas que me deixa de mal humor, daí não presto atenção nos crimes da semana nem nas flores e nos moinhos. 
Eu até gosto do horário de verão mas odeio a primeira semana.

sábado, outubro 18, 2008

O Rei na Festa do Morango de Monte Alegre do Sul

Para não ficar esse "gosto amargo de Sônia Abrão" depois do último post resolvi incluir mais alguma coisa. Lembrei da Festa do Morango, uma exposição bem gostosa que é realizada nos primeiros fins de semana de julho em Monte Alegre do Sul, cidadezinha a menos de 1 hora de Campinas, próxima a Serra Negra.

Festa simpática porque é realizada em local amplo, aberto, o que evita aquela sensação de multidão. Além de morangos in natura, suco de morango, licor de morango, doces de morango e sei lá o que de morango a festa tem shows, parque de diversões, cachaças artesanais de qualidade e, que mais? Já falei dos morangos?

Na última edição fomos e a surpresa foi o show do REI. Sim, ele mesmo, Roberto Carlos cantando sucessos novos e antigos. Talvez esteja um pouco diferente por causa desses shows marítimos que anda fazendo na época dos cruzeiros, o sal faz mal para pele.

Os pequenos adoraram.

Audiência X Responsabilidade

Infelizmente o tal sequestro que nunca terminava (mais de 100 horas) terminou de forma violenta. Não tenho capacidade para avaliar se houve erro na ação policial (foi no mínimo ingênua ao confiar na irresponsabilidade adolescente da refém que retornou ao apartamento)  mas está na cara que a mídia – principalmente televisiva – errou.

Primeiro, qualquer movimentação policial era mostrada pelas câmeras ao vivo. Para o tal seqüestrador saber o que estava acontecendo fora do apartamento era só assistir a TV.  Depois, abriram espaço para o seqüestrador falar ao vivo via celular em programas de gosto duvidoso. Quem é a tal da Sônia Abrão para falar com um criminoso que tem vítimas a sua mercê? Que treinamento uma irresponsável dessas, que só pensa em audiência, tem? “O Lindemberg (nome do infeliz) é um bom rapaz, não vai fazer nada”, dizia ela enquanto a audiência subia. Tanto não ia fazer nada que fez. O rapaz, que já era sem noção, se achou o dono da situação: todo aparato policial lá fora por sua causa e depois a mídia as suas ordens.

Atrás dela vieram a Record e outros com entrevistas ridículas, não dá para dar espaço para bandido na TV. Que coisa sem pé nem cabeça. Bom, hoje é sábado, a Sônia Abrão deve estar comendo uma feijoada (light, imagino) e a tal menina está no hospital com um tiro na cabeça.

"TV" não rima com "responsabilidade" faz tempo...

sexta-feira, outubro 17, 2008

Regras e limites

No início do ano chegou o convite: uma palestra com a psicóloga da escola das crianças com o tema Regras e Limites. Eu e a sra. Garden fomos, claro. Há 2 meses na cidade nova não poderíamos faltar a reunião, era uma chance de conhecer alguém.

Umas 25 mães, eu e mais 2 pais na sala, a psicóloga começou de forma branda. Introdução, desenvolvimento, uma mãe levanta a mão:

“- O problema é meu marido. Ele chega do futebol e atira os sapatos sujos na sala. Como vou dizer pro meu filho não fazer o mesmo?”

Daí outra mãe:

“Meu filho chega da escola e quer comer uma banana. Eu digo que só depois do almoço. Daí meu marido chega, pega uma banana, come e meu filho me pergunta  por que o pai pode e ele não.”

“-Meu marido joga a roupa suja no cesto mas não levanta a tampa, fica aquela pilha em cima”

“- O meu joga a toalha molhada em qualquer lugar”.

(não houve referências a cuecas)

Achei engraçada a ira feminina (estavam iradas mesmo, gente)  mas me senti mais confortável  (protegido) próximo a minha companheira.  Comentei com o cara do lado “onde é que viemos amarrar o burro?” mas ele me pareceu um pouco abduzido, talvez amendrontado. 

O que aprendemos? Que , para as mulheres , os filhos e os maridos precisam de regras e limites.

Mas, cá entre nós, as mulheres não entendem que somos apenas... eternos meninos.

quinta-feira, outubro 16, 2008

Palhaçada em Santo André


Abro os jornais que costumo ler na internet  e está lá o seqüestro do rapaz de 22 anos em Santo André. Ligo a TV, ele está ao vivo falando com uma apresentadora da Rede TV. Depois, com alguém da Record, depois da Globo. Uma das seqüestradas saiu e depois...voltou para o tal apartamento. Nunca vi isso. Daí o rapaz estendeu uma camisa do São Paulo na janela (agora li no G1 que “advogados do clube vão ajudar”). O que virá? Pedirá ele os pertences para fazer uma feijoada? Pedirá ele para que umas das reféns saia e volte fantasiada de melindrosa?

A mídia se aproveita do caso, o rapaz se aproveita da mídia. Deve acabar tudo bem. Depois a menina,a amiga e o rapaz (coitaaaaaaado dele, não soube lidar com o ciúmes...) irão a programas de entrevistas e logo após o Bruno Barreto fará um filme analisando a situação por ângulos sociológicos, a crítica não entenderá e chamará o filme de “CDHU movie”.

Enquanto isso um monte de gente do tal condomínio não pode entrar ou sair de casa e um monte de policiais que deveriam estar policiando (não é isso que fazem?) outros lugares estão lá, vendo o sobe e desce de mochilas , sacolas e reféns.

Bichos

Nossa casa fica nos limites da área urbana de Holambra, próxima a uma fazenda e ao

 condomínio Duas Marias. Recebemos visitas surpreendentes para  quem morava numa cidade grande, onde para ver um bicho era olhar pro cachorro da casa ou assistir Animal Planet.

Tivemos surpresas: corujas no gramado ou nos postes ao redor; papagaios soltos, sobrevoando a casa ou comendo sementes numa árvore em frente(outro dia mesmo estava ao computador e um papagaio pousou próximo à janela para depois voar, livre); uma família de pica-paus morando no telhado da casa vizinha (todo fim de tarde se reunem na antena de TV); uma siriema caminhando placidamente na praça ao lado de casa. E o mais bonito, 3 tucanos voando livres, aos berros,  sobre a casa num fim de tarde.

Além de visitas tivemos hóspedes: um ninho de rolinhas no telheiro de um dos portões. E a ocupação da casinha de passarinho que usamos como enfeite na área de lazer.

Por quase duas semanas observamos a alimentação dos filhotes – os pobres pais trabalhavam o dia inteiro para dar comida para os filhotes (algo a ver com o mundo dos humanos?). Cada chegada com um inseto no bico era acompanhada por piados esganiçados. Um dia vimos os pequenos, 3, aprendendo a voar no gramado. No dia seguinte foram embora. Sabe que sentimos falta deles agora?

Ontem fui verificar a casinha, ainda com o ninho. E um ovinho, que não vingou. Primeiro me deu pena, depois vi que é só a natureza.  Com a gente não é assim o tempo todo? 

terça-feira, outubro 14, 2008

"Meu moinho"

O pessoal aqui se amarra num moinho. Para ser sincero, eu acho interessante estar andando por aí e cruzar com eles, não é coisa que acontece em qualquer lugar. Um dia saí para levar as crianças na escola , depois passei num supermercado. Quando voltei pelo caminho quase obrigatório para casa esse moinho da foto havia brotado do nada e estava ali, com cara de que ali sempre estivera.

As vezes bate um vento e ele mexe um pouco as pás. Outro dia, estava chovendo, segunda feira sem graça e achei o moinho quase triste. Estamos nos conhecendo melhor.

Para ilustrar “meu moinho” - é pertinho de casa, passo sempre por ele, simpatizei, agora é meu - procurei alguma coisa na internet, achei umas palavras de Paulinho Nogueira. Mentira se disser que sou fã mas achei que a letra da música combina.

 “...

Meu moinho, tu me ensinas 
o segredo do arco-íris,
a cor branca é muito simples 
mas é a cor que se conquista.
Essa paz que eu canto existe,
não é fim, mas é caminho,
é no meu roda-moinho
que ouço a voz mansa da brisa.

(Nas Asas do Moinho, Paulinho Nogueira)

É tão certo quanto o calor do fogo...

O fogo sempre fascinou os seres humanos. Principalmente se o fogo em questão estava fadado a assar belos calzones caseiros (sensacional a massa de nossa amiga A.) , como no caso. Sábado a noite, forno e fogão a lenha acordados até tarde, nos esbaldamos – embora não saiba se é ético falar em “se esbaldar” enquanto a crise afeta economias mais fracas que a nossa (Estados Unidos, etc)...

Derrubei umas 30 árvores só para conseguir madeira para refogar o recheio.  As vezes acho que aquilo não é um fogão a lenha, é uma maria fumaça gulosa cimentada, de castigo. Uns galhos a mais e o calzone iria parar lá em Jaguariúna com fogão, forno e tudo.

Agora estamos planejando o próximo fim de semana: pernil? Frango? Tudo depende de quanta madeira conseguirei arrecadar até lá. As últimas reservas de Mata Atlântica estão um pouco longe.

Obs.: este post é baseado em fatos reais embora nenhuma árvore tenha sido ferida ou ameaçada. Os gravetos e achas de lenha  utilizados (teoricamente) são de reflorestamento ou se ofereceram  voluntariamente como combustível.